Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

A mãe realmente sabe o que é melhor para seu filho? Reflexões acerca da maternidade

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Meu texto hoje é baseado na  reflexão sobre a seguinte pergunta: Afinal, a mãe sabe ou não o que fazer com seu bebê? É algo natural, instintivo parir, amamentar, cuidar, fazer tudo da forma correta?
Winnicott foi um pediatra e psicanalista que tinha isso muito forte em seus textos. Ele dizia que a mãe sabe o que fazer, por isso é totalmente desnecessário que profissionais e familiares façam qualquer intervenção. A mãe e o bebê se entenderão se ninguém atrapalhar, no entanto, hoje parece que não é bem assim que as coisas funcionam. O que mudou? Por que as mães estão tão inseguras em sua maternidade?
Na época de Winnicott, e muito antes, a composição familiar era diferente, as mulheres tinham muitos filhos e os conhecimentos sobre os cuidados eram passados de mãe para filha, num conhecimento transmitido geracionalmente. A filha mulher também via a mãe parindo, amamentando, alimentando, trocando, banhando e acalentando seus irmãos mais novos e em várias situações auxiliava sua mãe e até mesmo assumia esse papel de cuidadora.

Com esse conhecimento prévio era muito mais simples para as mulheres executar as atividades referentes à maternidade, pois além de informações, tinham vivências intensas do processo todo.
Hoje, feliz ou infelizmente, a configuração familiar mudou. Quando é tradicional, temos pai, mãe e um ou dois filhos residindo na mesma casa. Os pais geralmente iniciam a vida reprodutiva mais tarde e eles mesmos não tiveram experiências prévias ou informações transmitidas por seus pais. Atualmente o conhecimento está disseminado e disponível facilmente, o que permite um preparo teórico, mas muitas vezes inadequado (todas vocês sabem quantas informações equivocadas existem em livros, sites, blogs e até em discursos de profissionais de saúde).
Hoje o conhecimento transmitido se perdeu grandemente e a mãe fica perdida no meio de tanta informação disponível, díspare, muitas vezes controversa e com tantas linhas diferentes. Isso traz insegurança, medo e culpa (no caso de sua prática ser considerada inadequada por alguém ou se ela mesma se questionar se está no caminho certo).
A frustração vem, então da romantização da maternidade. Isso mesmo, o discurso de que a mãe sabe tudo que é melhor para o seu filho a priori e danoso na medida em que ela própria sente que não tem esse conhecimento.
Geralmente a gestação traz um sentimento de onipotência, já que ela, magicamente, faz tudo correto para o crescimento e desenvolvimento de seu bebê no útero, mas quando o bebê nasce, o sentimento que surge é de impotência, por não saber o que fazer para parir, amamentar, banhar, trocar, cuidar, alimentar, educar.
Por isso a presença de pessoas de confiança que apoiem a mulher, a ouçam e sejam empáticas e por outro lado auxiliem de forma prática, é tão importante. Por isso também hoje se fala tanto em rede de apoio. A mulher precisa dessa rede para aprender a ser mãe, se sentir apta a cuidar de seu bebê.
Para mim, as palavras chaves nesse processo são informação de qualidade e apoio.

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