Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Mãe perfeita ou mãe suficientemente boa?

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Ainda que nossa sociedade cobre que a mãe seja perfeita, não reclame, ame incondicionalmente, não sinta dor, tristeza ou tenha outras prioridades além do filho, todos sabem que, no fundo, isso não é real.
 
Mãe perfeita, mãe boa, mãe má….na verdade a mãe precisa ser suficientemente boa! À medida em que o bebê amadurece a mãe volta, pouco a pouco, a cuidar de si e ter seus interesses. Além de ser saudável para a mulher, é extremamente saudável para o filho, que precisa ser permitido, paulatinamente, a passar de uma dependência total para a parcial, e finalmente, para a independência.
 
A mãe boa é aquela que supre todas as necessidades do bebê, no momento em que ele necessita, sem permitir que ele se frustre em momento algum ou que tenha espaço para elaborar suas necessidades. Por outro lado, a mãe má é aquela que não supre as necessidades, que nega cuidado, contato. Se analisarmos, toda mãe tem algo de bom e de mau, já que é impossível suprir todas as demandas, o tempo todo, sem queo bebê precise aguardar um tempo. A mãe boa e a mãe má são percebidas pelo bebê, inicialmente como duas diferentes e depois, ele consegue compreender que ambas são a mesma pessoa.
 
Se a mãe for boa o tempo todo, ela não permitirá o desenvolvimento do bebê; é como se ele ficasse viciado na relação com o corpo e isso dificulta a entrada na linguagem e a percepção de si mesmo com um sujeito separado e diferente de sua mãe. Ao contrário, se ela for má o tempo todo, o bebê terá sensação de falta de integração, sofrerá de angústias e poderá ter sérios problemas emocionais. Então, qual o equilíbrio necessário para favorecer o desenvolvimento emocional da criança?
 
A resposta para essa pergunta é o conceito de mãe suficientemente boa: essa mãe é a que supre as necessidades do bebê, interpretando-as e estando sempre alerta aos cuidados necessários. Ela não se antecipa, mas responde às necessidades. Ela pode fazê-lo esperar, na medida em que amadurece e pode suportar determinadas frustrações, mas não retarda em demasia sua atenção. À medida em que percebe que ele pode fazer determinadas atividades, não faz por ele, mas permite que ele atue, ainda que erre, caia e por fim necessite de ajuda.
 
A mãe suficientemente boa, então, é aquela que está atenta, é cuidadosa, carinhosa e permite o desenvolvimento físico e emocional de seu filho. Ela não é nem 100% boa nem 100% má, só suficiente; ela não é perfeita, mas é tudo que o bebê necessita. Ela é o ambiente facilitador para seu filho. Essa percepção ameniza a culpa, reduz a autocobrança e a noção de que a mãe deve fazer tudo o tempo todo pelo bebê.
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