Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Leite materno é alimento dinâmico: entenda o que isso significa

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Há muito tempo se sabe que o leite materno é específico para a espécie humana, possui nutrientes e substâncias de proteção ao organismo como nenhum outro, é o padrão ouro para crescimento e desenvolvimento dos bebês e é sempre o mais indicado. Além desses conhecimentos, hoje também se sabe que o leite materno tem composição dinâmica, de acordo com a extração realizada pelo bebê.

 

Essa variabilidade do leite humano, que não está disponível em nenhum outro leite, é a chave para o crescimento e desenvolvimento infantil, pois sempre está adaptado às necessidades. Se o bebê cresce e precisa de maior volume de leite, ele então solicitará mais vezes ao dia, o que fará o leite aumentar. Em outro post já falamos sobre a variabilidade do leite: o volume de leite, a quantidade de gorduras e os componentes celulares são regulados pela frequência de mamadas e esvaziamento mamário. Além disso, há estudos que evidenciam que a quantidade de gordura é maior quando expressado algum tempo após a mamada (não logo após seu término) e pode estar relacionado com o volume de leite removido na mamada.

 

Quando é dito que o leite humano é espécie-específico, isso quer dizer que todos os nutrientes presentes no leite da mãe são exatamente os que o seu bebê necessita; como mãe e bebê estão sempre juntos, todas as bactérias, vírus que entram em contato com eles são transformados em defesa do organismo (anticorpos), que são liberados no leite materno para a proteção de seu próprio bebê, já que este ainda não possui imunidade amadurecida. O leite de cada mãe possui a programação genética para o crescimento e desenvolvimento de seu filho, de acordo com características familiares, tipo físico, necessidades nutricionais.

 

Além disso, o que a mãe ingere de alimentação tem potencial para promover variações na composição do leite, começando pela cor, flavor (sabor do que a mãe come passa pelo leite, já iniciando o bebê nas preferências alimentares culturais da mãe, da família), e alguns estudos já indicam que pode haver mudanças na quantidade de ácidos graxos (que formam a gordura).

 

Para o lactente que nasce a termo, além da programação para crescimento e desenvolvimento, essas descobertas apontam para o papel das células de gordura no desenvolvimento de um sistema de controle do apetite do bebê (a gordura dá sinal de saciedade), por isso é importante que ele ingira a gordura durante a mamada, esvazie as mamas com frequência e tenha sucção efetiva.

 

Existem também implicações para o lactente nascido prematuramente. As evidências apontam para o fato da fortificação do leite materno ser desnecessária, especialmente se as mamas forem esvaziadas com frequência e o bebê receber especialmente o leite ordenhado após um tempo do último esvaziamento (cerca de 30 minutos após).

 

Com isso, caem por terra as orientações de manutenção de horários rígidos para amamentação, de amamentar apenas 15 minutos em cada seio, de somente oferecer uma mama por vez e que se a mãe extrair leite faltará para seu filho. A fisiologia mostra exatamente o contrário!

 

Finalmente, cai também por terra a ideia de que se há necessidade de maior aumento de peso é preciso oferecer leite artificial. Apenas com apoio e auxílio para que a mãe mantenha as mamas esvaziadas, amamente com frequência, retire o que sobrar da mamada e até mesmo ofereça a mama após 30 minutos de seu esvaziamento pode haver maior ingestão de gorduras.

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