Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Leite demais, leite de menos: como identificar?

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A grande maioria das mulheres tem total condição de produzir quantidade suficiente de leite materno para as necessidades de seus bebês. Essa condição é biológica: todas as mulheres possuem o mesmo número de alvéolos (glândulas que fabricam leite), bem como apresentam os hormônios da lactação em seu organismo, exceto quando há retirada de glândulas (como no caso de cirurgias de redução mamária com retirada de alvéolos) ou problemas hormonais.

 

A questão é que, mesmo sabendo que biologicamente todas as mulheres são capazes de produzir leite, a maior queixa das mães é de que o leite é fraco ou há pouca produção. Essa percepção geralmente é resultado de insegurança que outras pessoas (profissionais de saúde, familiares, amigos, indústrias de leites artificiais) inculcam na mulher, colocando em dúvida sua capacidade de nutrir plenamente seu próprio filho.

 

É importante a mulher compreender que há algumas situações que podem promover a redução da produção de leite (hipolactação) ou mesmo dar a falsa ideia de que o leite não é produzido em quantidade suficiente:

 

– uso de bicos artificiais – quando o bebê usa chupeta/mamadeira, há redução do tempo de estímulo da mama e, consequentemente, pode haver redução na produção de leite, o que se transforma num ciclo vicioso que pode levar ao desmame.

– uso de outros leites ou líquidos – a ingestão de outros leites ou líquidos promove preenchimento gástrico no bebê e redução da ingestão de leite materno. Com menor estímulo na mama, há menor produção láctea

– bebês doentes (refluxo gastroesofágico, alergia à proteína do leite de vaca, infecções) – bebês doentes podem chorar durante e após as mamadas, se debater e não dar a sensação de estarem satisfeitos, o que pode confundir a mãe e fazê-la acreditar que o problema é o seu leite. Quando o bebê mudar de comportamento, é importante que o médico avalie e, caso haja diagnóstico de algum problema, o tratamento adequado seja realizado

– picos de crescimento – quase que mensalmente os bebês passam por picos de crescimento, pois crescem e necessitam de maior volume de leite. Com isso, passam a mamar mais vezes, com menores intervalos e esse comportamento faz com que as mães realmente acreditem que o leite não está sustentando ou houve redução na produção. Esse comportamento se prolonga de alguns dias a uma semana e quanto mais se amamentar em livre demanda, mais rápido a produção de leite se adapta às novas necessidades do bebê e ele voltará ao comportamento normal de mamada.

– erupção dos dentes – na fase do nascimento dos dentes de leite os bebês podem mamar mais ou até ter dificuldades para sugar, morder, chorar por causa do incômodo gerado nessa fase. Manter a livre demanda é importante, juntamente com oferecimento de mordedores, picolé de leite materno para aliviar o incômodo, massagens na gengiva.

– greves de amamentação – os bebês fazem greve de amamentação por vários motivos, entre eles mudanças na rotina e doenças. A mãe acredita que o bebê não quer mais mamar e sempre associa à falta de leite, porém os bebês retornam em alguns dias como se nada tivesse acontecido.

– confusão de bicos – o uso dos bicos artificiais pode levar à confusão de bicos, que é a mudança radical na fisiologia da sucção. Com as posturas orais alteradas, o bebê não consegue mamar no seio materno da mesma forma que suga um bico e, em consequência, começa a chorar, se debater, pegar e soltar a mama. Nesse momento a primeira coisa que a mãe pensa é que seu leite está pouco ou fraco, mas isso não é real.

– problemas de técnica de amamentação – a pega errada, horários rígidos, tempo determinado para mamar e limitação de mamas podem, além de impedir que o bebê extraia a quantidade de leite necessária, promover a redução da produção de leite pela falta de esvaziamento das mamas. É importante manter a livre demanda, observar e proporcionar a pega correta, deixar o bebê esvaziar uma mama e oferecer a outra, caso deseje.

 

No caso da produção de leite realmente estar reduzida, a mãe perceberá redução do xixi (com cor amarelada e cheiro forte), redução do cocô (que será endurecido), manutenção ou perda de peso (quando se exclui pega e técnica incorreta de amamentação), choro frequente, mamadas frequentes e intervalos muito curtos (quando não estiver em pico de crescimento)

 

Para aumentar a produção, a mulher pode amamentar com maior frequência, permitindo o esvaziamento das mamas ou ordenhar com frequência o leite materno. Em alguns dias ocorrerá aumento na produção.

 

Por outro lado, há mulheres que reclamam de excesso de leite, chamada de hiperlactação.  Nesses casos o bebê mama, mas pode não se satisfazer, já que muitas vezes não consegue esvaziar a mama e extrair o leite posterior.

A mulher deve observar algumas situações para identificar se realmente possui hiperlactação:

– as mamas estão sempre cheias, o que gera desconforto

– logo após as mamadas as mamas enchem novamente

– sensação de dor como agulhadas

– percepção de regiões endurecidas, dolorosas e sensíveis

– ocorrência frequente de ingurgitamento, mastites e bloqueio de ductos

– dor quando ocorre a descida do leite

– excesso de leite na descida, muitas vezes com engasgos do bebê e até falta de manutenção da pega da mama

– as mamas estão sempre vazando leite, mesmo após o período da apojadura

– bebê regurgita durante as mamadas

– ocorrência de gases frequentes no bebê

– baixo ganho de peso mesmo com ingestão de leite frequente

– bebê com cocô esverdeado

 

Para reduzir as consequências da verdadeira hiperlactação, a mulher pode ordenhar o leite anterior e oferecer o posterior ao bebê e, nesse caso, oferecer apenas uma mama, para que ocorra esvaziamento e ingestão do leite anterior. Caso a outra mama fique muito cheia e gere desconforto na mãe, ela pode retirar um pouco de leite para alívio, mas se esvaziá-la pode ocorrer aumento da produção.
Além disso, é importante colocar o bebê para arrotar durante a mamada e também massagear as áreas endurecidas.

 

Tanto o excesso de leite quanto a produção reduzida podem ser prejudiciais, por isso é importante procurar auxílio de profissional capacitado para auxiliar na adaptação da produção do leite materno.

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