Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Leite anterior x leite posterior: o que isso realmente significa na amamentação?

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Uma das questões mais comuns das mães que amamentam e uma das confusões mais frequentes entre os profissionais de saúde é diferenciar leite anterior e leite posterior de leite do início da mamada e leite do final da mamada. Nós sempre aprendemos que leite anterior é do início da mamada, com maior concentração de água e sais minerais e o leite posterior ou do final da mamada, é o leite com maior teor de gordura, para o ganho de peso.

 

Com essa informação, geralmente orientamos as mães a esvaziarem totalmente a mama para que o bebê pegue os 2 tipos de leite e finalmente ganhe peso, no entanto é importante que compreendamos que a mama não produz dois tipos de leites que são liberados em momentos diferentes na mama. 

O leite anterior é o leite que o bebê ingere por meio do estímulo da mama, que libera o hormônio prolactina. Só que ele não é liberado, necessariamente, no início da mamada. Isso mesmo! Esse leite é liberado durante toda a mamada, à medida que o bebê estimula a mama com os movimentos de ordenha.

Já o leite posterior é o leite que o bebê ingere quando a mãe está calma, olhando ou pensando em seu bebê, quando tem apoio, não está com dor ou insegura. Esse leite é liberado por ação da ocitocina e possui maior quantidade de gordura, sim, só que esse leite não necessariamente é liberado apenas no final da mamada. Incrível, não?

A mulher pode perceber a liberação da ocitocina durante toda a mamada. Muitas sentem pontadas, outras um arrepio, outras ainda sentem um desconforto maior. Nesse momento, pode haver cólicas (contrações uterinas), o bebê geralmente começa a sugar com ritmo mais lento e pode-se ouvir sua deglutição. A ocitocina é sempre liberada periodicamente durante toda a mamada, assim como a prolactina, por isso a gordura está em toda a mamada, não só no final!

Desta forma, na prática, é apenas um leite que se mistura durante a mamada. A divisão é apenas didática!

 

Outra informação importante é que, quando a mulher amamenta em livre demanda, sem horários rígidos, promovendo esvaziamento frequente das mamas, o teor de gordura no início da mamada pode ser maior!

 

Com essa informação, fica fácil entender porque alguns bebês mamam pouco, outros esvaziam apenas uma mama e outros ainda esvaziam ambas as mamas, mas todos podem ter ganho de peso adequado, estar saudáveis e ter bom desenvolvimento. Estudos mostram que há maior quantidade de gordura ao final da mamada, pois os glóbulos de gordura podem ficar aderidos na parede dos alvéolos, mas isso não quer dizer que durante toda a mamada a gordura não esteja presente!

 

Desse modo, o bebê não precisa, necessariamente, esvaziar uma mama (mesmo porque a mama não pode ser totalmente esvaziada) e nem a mulher precisa oferecer uma mama várias vezes para que ela se esgote. O bebê faz auto-regulação, ou seja, ingere o que tem necessidade (salvo os bebês com dificuldades), então se seu bebê está mamando com boa pega, técnica adequada, com ganho de peso, desenvolvimento normal, grande quantidade de urina, não precisa se preocupar!

 

 

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