Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

A importância do aleitamento materno para bebês com APLV (alergia à proteína do leite de vaca)

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A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é considerada uma doença atópica (atopia vem da palavra grega atopos, que significa estranho). A atopia é um importante problema de saúde nos países industrializados, com aumento da prevalência em crianças nos últimos 30 anos e possui predisposição genética associada a questões ambientais. Pode se manifestar sob a forma de asma brônquica, dermatite atópica, alterações gastrointestinais, chiado recorrente, rinoconjuntivite alérgica e alergias alimentares, como a alergia à proteína do leite de vaca (APLV).

 

A APLV é uma reação alérgica mediada imunologicamente contra antígenos do leite de vaca ou uma alergia alimentar não IgE mediada (não produz anticorpos IgE específicos). É o primeiro fenômeno da doença atópica porque as proteínas do leite de vaca são as primeiras consumidas por uma criança.

 

No caso da APLV, a amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de vida está associada com redução de eczema, alergia alimentar e respiratória, bem como reduz risco de chiado, devido à complexidade imunológica do leite materno. Vejamos alguns benefícios:

 

– somente no aleitamento materno há transferência de IgA secretora (tipo de anticorpo), que reduz o risco de APLV (leites artificiais não possuem anticorpos);

– quanto maior a duração do aleitamento, menores os riscos de APLV;

– quando a mãe tem doença atópica, existem altas concentrações de citocinas, substâncias envolvidas na produção de IgE (outro tipo de anticorpo) e de indução de eosinófilos no seu leite, o que aumenta a proteção para o bebê;

– o TGF – fator de crescimento e transformação do tipo beta é predominante no leite humano, e esta substância aumenta a capacidade do bebê produzir anticorpos;

– a composição do leite materno, que apresenta ácidos poli-insaturados e poliaminas auxilia na proteção contra atopia.

 

O aleitamento materno é indicado para prevenir a sensibilização a alérgenos, por isso deve ser exclusivo até os 6 meses. Um grande risco para essa sensibilização é o uso indiscriminado de complementos de leite artificial ainda na maternidade, pois os sintomas aparecem durante o primeiro ano de vida, após dias ou semanas da introdução de fórmulas que possuem leite de vaca em sua composição.

 

A prevalência de APLV é de 1,1 a 2,5% e quando o bebê é amamentado a incidência é de 0,4 a 0,5%. Como relatado anteriormente, ainda que exista um componente genético, as questões ambientais são importantes para o desencadeamento da sintomatologia dessa doença atópica, por isso a amamentação é tão importante.

 

Quando o lactente apresenta diagnóstico de APLV mesmo em aleitamento materno exclusivo, o tratamento consiste de dieta de exclusão materna de leite e derivados. Em geral, em até 72 horas após a exclusão pode ser observada melhora dos sintomas no bebê. Desta forma, bebês amamentados não devem ser desmamados! Em comparação com o leite materno, as fórmulas infantis isentas de leite de vaca ocasionam maior incidência de dermatite atópica, por exemplo.

 

Ainda que os estudos ainda sejam controversos do ponto de vista da proteção do aleitamento materno na atopia, isso se deve à complexidade imunológica do leite materno e de sua interação com o sistema imunológico do bebê, além da imensa quantidade de fatores externos (ambientais e genéticos). O aleitamento materno ainda é o alimento ideal para todos os bebês, incluindo os que apresentam risco ou mesmo diagnóstico de APLV.

 

Gratidão imensa à amiga IBCLC Fabiana Cainé Alves da Graça pelo auxílio na revisão deste texto!

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