Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

A importância da mamada na primeira hora

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O que tem sido preconizado, atualmente, é que o bebê que nasce em boas condições seja colocado no tórax da mãe logo após o parto, em contato íntimo e direto (pele a pele e olho no olho), para que ambos se conheçam e se estabelaça o vínculo precocemente. A orientação é que ambos sejam deixados juntos por algum período durante a primeira hora de vida do bebê e que ele seja aquecido pelo calor do corpo de sua mãe, sinta seu cheiro e possa buscar a mama, se assim desejar.

 

Não há obrigatoriedade para que a primeira mamada real aconteça nesse período, mas existe grande importância, para a amamentação, que o bebê cheire, coloque sua boca, dê lambidas ou algumas sugadas, pois o recém-nascido já apresenta competência e está com todos os reflexos de alimentação prontos, além de seu estado de alerta estar em evidência por alguns minutos após o parto. Desse modo, ele tem a sensação de continuidade do ambiente intrauterino ao estar em contato com a mãe.

 

Claro que alguns bebês necessitam de atendimento e cuidados especializados, mas a grande maioria nasce com boa vitalidade e condições clínicas, podendo ser deixado com a mãe. Nesse momento o bem-estar retornará, já que o parto é considerado um trauma (seja cesariana ou parto natural, pois o bebê é retirado de seu ambiente).

 

No que se refere à amamentação, o contato pele a pele e a primeira mamada são essenciais para a manutenção dos níveis altos de prolactina, permitindo sua liberação e, consequentemente, a produção láctea mais rápida do que se o bebê for separado imediatamente e não houver estímulo na mama, ainda que sem sucção efetiva. Apenas pelo contato, toque, lambidas e algumas sugadas, o hormônio se mantém por mais tempo em níveis máximos, o que pode ser mantido se for praticado o alojamento conjunto e amamentação em livre demanda, sem uso desnecessário de complementos.

 

Este é um bom começo para a amamentação. Estudos revelam que esse primeiro contato favorece a produção láctea e promove a maior duração do aleitamento materno, por isso é tão importante que os hospitais promovam o contato precoce. A frequência de sucção do bebê na mama determinará a demanda de leite a ser produzido e liberado, ou seja, a partir da primeira mamada ele começa a regular a produção de leite materno. Isso significa que, quanto mais cedo iniciar, mais rápido o colostro será produzido e mais rápido a apojadura ocorrerá.

 

Do ponto de vista emocional, é o primeiro contato e a primeira mamada (as primeiras mamadas, na verdade) que permite o estabelecimento da relação mãe-bebê, determina a inscrição fundadora do aparelho psíquico do lactente e a forma como será o estabelecimento da amamentação e do vínculo afetivo.  Aulagnier chega a referir que “no momento em que a boca encontra o seio, ela encontra e absorve um primeiro gole do mundo”.

 

Para Lacan, se a relação entre a mãe e o bebê se estabelecer naturalmente, a mãe não necessitará de técnicas ou regras para amamentar, cuidar, ser mãe. Em geral, as mães separadas de seus bebês são mais inseguras, amedrontadas e muitas vezes não sabem lidar com seus bebês, pois perderam a oportunidade de ter um contato íntimo logo após o nascimento.

 

A equipe hospitalar tem, então, tanto pelas políticas públicas quanto pelos conhecimentos de lactação e pela importância desse primeiro momento para o desenvolvimento emocional do bebê, papel preventivo e deve proporcionar o contato e amamentação logo após o nascimento, bem como favorecer e preservar o papel e lugar do pai nessa relação.

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