Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Horários e duração das mamadas: é correto controlar?

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Frente a tantas orientações de profissionais diferentes sobre os ritmos esperados para as mamadas, seus intervalos e suas durações, acredito ser importante explicar, ainda que brevemente, algumas questões relacionadas a isso.

 

A primeira questão a ser identificada é que cada bebê é diferente, com necessidades diferentes e, portanto, tem sono, comportamento, ritmo, intervalos, duração da mamada diferentes. Isso não é o problema. O problema é quando tentam colocar todos os bebês em um mesmo protocolo, do tipo: um bebê que está bem deve mamar no máximo de 3 em 3 horas, por 30 minutos e uma mama a cada mamada. Após a mamada os bebês mais novos dormem. À noite eles necessariamente acordarão de 3 em 3 horas e se não acordarem, é preciso acordá-los para mamar.

 

Nada mais inadequado. Inicialmente, se o bebê é prematuro, se tem algum problema de saúde, se tem risco de hipoglicemia (risco real), se não está ganhando peso (lembrar que é esperado o bebê perder peso até a segunda semana de vida, quando então recupera o peso de nascimento e passa a ganhar) é totalmente diferente de um bebê a termo. Além disso, um bebê sonolento é diferente de um agitado para mamar; alguns são bem calmos, outros choram por qualquer coisa.

 

De posse dessa informação, os pais podem conhecer seu próprio filho e suas necessidades. A princípio, a orientação é manter a livre demanda, que significa que o bebê, quando tiver fome, acordará, se movimentará, colocará a mão na boca, estalará a língua, entre outros comportamentos que indicam sinais de fome precoce. Em alguns minutos, se não for alimentado, chorará, como sinal de fome tardio.

 

Vamos falar então de um bebê a termo (que nasceu no tempo certo). Esse bebê consegue, por maturidade neurológica, fazer autorregulação, isto é, acordar e solicitar alimento sempre que necessitar. Nesse caso, os pais podem ficar tranquilos e deixar o bebê conduzir sua alimentação, em seu próprio ritmo.

 

Caso seja um bebê prematuro, a conduta é direfente, especialmente nas primeiras semanas. Se ele nasceu com baixo peso ou perdeu muito peso na alta, é importante lembrar que a livre demanda vale a partir do momento que esse bebê mostrar-se mais pronto para os momentos de alimentação: acordar, buscar, chorar. A questão é que os prematuros são sonolentos e muitas vezes não acordam, por isso será necessário que os pais os ajudem para estabelecerem um ritmo de alimentação.

 

Se um bebê não está ganhando peso, tem algum problema de saúde ou condição (como a Síndrome de Down) , a livre demanda será iniciada após o ganho de peso frequente. Enquanto isso, os pais podem acordá-lo e oferecer a amamentação a cada período (3/3 horas ou 2/2 horas de acordo com a necessidade). Caso o bebê acorde antes, deve ser alimentado. Isso pode valer para a madrugada também, inicialmente.

 

Bebês a termo, saudáveis, com ganho de peso, que acordam para mamar, mamam bem, com adequada pega e extração de leite não precisam ser acordados, especialmente à noite, para respeitar seu próprio ritmo fisiológico. Além disso, pode mamar uma mama apenas, esvaziando-a ou não, ou pode querer mamar ambas, o que vai depender de sua fome. Limitar uma mama a cada mamada não é indicado, especialmente porque pode reduzir a produção de leite materno e fazer com que a mãe acredite que não possui leite suficiente para seu filho e consequentemente iniciar fórmula sem necessidade alguma (se você tem leite, não há necessidade de oferecer outro, certo?).

 

Os bebês mais jovens podem demorar mais para mamar, em média 30-40 minutos, pois sua sucção ainda não está bem estabelecida. Eles dormem durante a mamada, se cansam facilmente e por isso podem permanecer na mama por mais tempo. Com os meses, eles vão adquirindo competência de sugar e a mamada começa a ficar mais rápida. É importante os pais saberem disso, pois em alguns minutos o bebê pode esgotar a mama, estar bem alimentado e ficar bem (dormindo ou não!). Muitas mães ficam incomodadas acreditando que o bebê não mamou bem, insistindo para que mantenham 30 minutos, o que pode deixá-los irritados. Deixe o bebê mamar no seu tempo!

 

Com relação à duração das mamadas, no caso de prematuros ou bebês com outras condições, pode ser necessária complementação e isso pode ser feito de preferência com o próprio leite da mãe por translactação ou uso do copo. Sempre que possível, ordenhe seu leite em outros horários para fazer um pequeno estoque. Você não imagina como isso é bom para seu bebê!

 

Finalmente, perceba seu bebê, conheça-o, aprenda a identificar o choro e suas necessidades. Nem todo choro é de fome, nem toda mamada rápida é ineficaz, nem todo sono prolongado é arriscado e, por outro lado, nem todo bebê que acorda várias vezes para mamar se deve ao fato da técnica da amamentação estar inadequada ou o leite ser fraco/insuficiente. Acompanhe o desenvolvimento do seu bebê de forma ampla (ganho de peso, urina, fezes, desenvolvimento motor, saúde geral) e procure um consultor em amamentação no caso de dúvidas!

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