Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Hoje começa a Semana Mundial de Aleitamento Materno!

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Essa semana é comemorada no mundo todo desde 1992, quando a WABA, uma ONG americana, cuja tradução em português é Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno, promoveu pela primeira vez essa ideia, não só com o objetivo de chamar a atenção do mundo para a importância do aleitamento materno, mas também para promover a união de esforços e a colaboração de vários setores da sociedade.

 

A WABA nasceu em 1991, de uma reunião proposta pela UNICEF, para promover ações colaborativas entre diversos atores e atuar como catalizador de iniciativas locais e internacionais.

 

Desta forma, quando falamos em Semana Mundial de Aleitamento Materno, não falamos apenas de um período do ano para a promoção desta prática tão importante, mas também de todo envolvimento contínuo de instituições, governos, comunidades, profissionais, mães.

 

Todos os anos a WABA desenvolve um tema específico a ser trabalhado para a Semana Mundial; este ano o tema é Amamentação: presente saudável, futuro sustentável! Com enfoque na sustentabilidade e nos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, que foram aprovados em 2015 após todo planejamento iniciado no Rio +20.

 

Mas qual a relação entre Sustentabilidade e amamentação? O aleitamento materno é considerado um pilar, uma base da sustentatibilidade e pode auxiliar no cumprimento de todos os 17 pilares, que são:

1) Erradicação da pobreza,

2) Fome zero,

3) Boa saúde e bem estar

4) Educação de qualidade

5) Igualdade de gênero,

6) água limpa e saneamento

7) energia acessível e limpa

8) Emprego digno e crescimento econômico

9) Indústria, inovação e infraestrutura

10) Redução das desigualdades

11) Cidades e comunidades sustentáveis

12) Consumo e produção responsáveis

13) Combate às alterações climáticas

14) Vida debaixo d’agua

15) Vida sobre a terra

16) Paz, justiça e instituições fortes e

17) Parcerias em prol das metas.

 

O aleitamento materno promove a saúde, a paz, a redução da fome e desnutrição, bem como os gastos familiares com alimentação artificial, favorece melhor aprendizado e perspectivas de trabalho e renda, reduz consideravelmente resíduos no meio ambiente e uso de água e energia, favorece a igualdade de gêneros e a empregabilidade materna. E estas são apenas algumas de suas vantagens.

 

Trabalhando com mulheres e bebês há tanto tempo, percebo que a mulher que amamenta necessita de rede de apoio, valorização e incentivos de todas as áreas, pois o trabalho de cuidar, criar e nutrir uma criança é um serviço que ela presta à sociedade. Ela, juntamente com os demais membros da família e comunidade, tem o dever de preparar um cidadão para a vida, para o mundo, para ser um indivíduo com dignidade e que respeite os demais.

 

O afeto, a educação, o cuidado, o alimento emocional e físico proporcionados também pela amamentação são imprescindíveis para a formação e desenvolvimento do indivíduo e, portanto, deve ser incentivado, promovido e protegido.

 

A mulher trabalhadora, para cuidar de seu filho, precisa do apoio das empresas, tanto para a licença maternidade de 6 meses, quanto para manter-se próximo ao filho na volta ao trabalho ou ter a oportunidade de retirar seu leite por meio das creches ou salas de apoio à amamentação.

 

A licença paternidade ampliada para 20 dias permite tanto que o pai participe ativamente desses cuidados como também que se vincule ao seu filho. Esse investimento parece oneroso, mas os estudos já demonstram que há redução de custos a longo prazo com faltas ao trabalho e demissões, bem como há aumento da produtividade.  As empresas precisam compreender isso e apoiar os pais.

 

A comunidade também deve apoiar a mulher: familiares, amigos, profissionais de saúde tem o dever de incentivar e auxiliar esta mulher, para que ela se sinta mais segura e confiante no seu corpo e na sua capacidade de nutrir e cuidar de seu filho. A rede de mulheres também é um ambiente que promove acolhimento às dúvidas, inseguranças e incertezas da maternidade e, com trocas de experiências auxilia as mães a perceberem que não é fácil criar um ser humano, mas é possível fazer o melhor.

 

Finalmente, quero abordar a importância da amamentação em público. Ela reflete a luta das mulheres pela naturalização do ato de amamentar e de seu direito de nutrir o filho onde e quando for necessário.

 

Precisamos compreender que há uma luta entre o que é natural e o que a indústria e a sociedade tentam transmitir do que seria o melhor. Devemos voltar ao natural, pois já temos muitas provas de que é o melhor. Precisamos lembrar que somos mamíferos e que amamentar em público não é constrangedor, feio ou sensual, mas um direito que deve ser respeitado.

 

Precisamos lutar contra uma sociedade com valores invertidos, contra as modernidades que trazer mais problemas do que soluções, contra os relacionamentos descartáveis. A relação mãe, pai, bebê, família e comunidade deve ser forte e intensa, defendida e protegida para que, com isso, consigamos realmente construir um mundo melhor.

 

 

  • texto elaborado para a abertura da Exposição fotográfica “Com peito, sem preconceito” no Shopping Boulevard em Londrina- PR

Fonte da imagem: http://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/wp-content/uploads/2016/07/folder-campanha-da-amamentacao-21.png

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