Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Existem alimentos que podem aumentar a produção de leite?

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Alguns alimentos, produtos naturais e medicamentos são indicados, com frequência, para aumentar a produção de leite materno. Esses produtos são denominados Galactagogos ou Lactagogos. Já falamos, anteriormente, sobre os medicamentos e produtos naturais (ervas e chás) e hoje abordaremos o uso de alimentos. Será que existem alimentos capazes de auxiliar no aumento da produção láctea? Eles são seguros, comprovados cientificamente, podem ter efeitos adversos?

 

Para falarmos sobre isso, inicialmente serão destacados os alimentos geralmente relacionados ao aumento da produção de leite, para depois discutirmos sobre sua eficácia:

– cerveja preta

– líquidos

– canjica

– leite de vaca

– canja de galinha

– alimentos saudáveis

– goiabada com leite

– milho com leite

– álcool

– cerveja

– gemada

– bebida a base de cereais quentes

– leite de coco

– arroz doce

– água inglesa

– caldo de cana

– água de rapadura

– fubá

 

 

  • Cerveja preta, álcool, água inglesa e cerveja

São todos líquidos que contém álcool. Há muito tempo e em várias culturas existe a crença de que a ingestão de álcool tem potencial de aumentar a produção de leite, facilita a descida do mesmo e promove relaxamento. Até mesmo alguns profissionais de saúde indicam, ainda hoje, a ingestão de pequenas quantidades de bebidas alcoólicas.

A indicação de cerveja preta, em especial, ocorre porque existe maior teor de leveduras, cevada, lúpulo e proteínas em decorrência do processo de produção deste tipo de bebida, o que pode estar associado a um aumento da produção láctea. Na verdade, não é a presença de álcool que favorece (não existe nenhuma evidência que revele esta relação), mas essas substâncias presentes na cerveja, especialmente a cevada.

Ainda que o álcool produza relaxamento, ele não deve ser consumido durante a gestação e lactação porque atinge o feto ou lactente. Os efeitos no bebê podem ser alterações do padrão de sono, dificuldades de sucção e ordenha ineficaz/insuficiente de leite materno. Além disso, pode reduzir o reflexo de descida do leite e mudar algumas propriedades do leite, como sabor, odor, coloração.

Em decorrência de todos os riscos abordados anteriormente, o álcool é totalmente desaconselhado. Caso a mulher queira ingerir cerveja, pode optar pela sem álcool.

 

 

  • Ingestão de líquidos

Existem muitas indicações para ingestão de líquidos no período da amamentação. Alguns profissionais chegam a indicar que a mulher ingira 4-5 litros de água, pois a crença é de que a produção láctea seja diretamente proporcional à ingestão de líquidos, já que o leite possui mais de 80% de água em sua composição.

Ainda que a ingestão frequente de líquidos, especialmente a água, seja recomendada para a lactante, a ingestão excessiva, ao contrário do que se acredita popularmente, não só não aumenta a produção como também pode reduzi-la, pois sempre que há ingestão de algo em excesso a reação do organismo é eliminar; nesse caso, o líquido em excesso é eliminado pela urina, a fim de manter o equilíbrio (homeostase).

Vale lembrar que não apenas água e líquidos possuem água, mas os alimentos também! A indicação é que a lactante ingira aproximadamente 3,8 litros de líquidos diariamente, mas o mais importante é que a mulher responda ao seu organismo, à sede. A sede é o melhor termômetro, pois surge nos momentos em que o organismo sente necessidade de maior volume de líquidos.

 

 

  • Leite de vaca, goiabada com leite, milho com leite, arroz doce

O uso de leite e derivados não possui base científica para auxiliar no aumento da produção de leite materno e deve ser feito com muita cautela, já que a proteína do leite de vaca possui potencial para desenvolver alergias no lactente (Alergia à Proteína do Leite de Vaca), pois ela passa para o leite materno e é ingerida pelo bebê. Quando a alergia é diagnosticada a mãe deve fazer dieta de restrição de leite e derivados e, com isso, os sintomas do bebê melhoram ou simplesmente desaparecem.

Definitivamente não há relação entre ingestão materna de leite e produção de leite!

 

 

  • Alimentos saudáveis, canja de galinha, canjica, gemada, leite de coco, alimentos à base de cereais, caldo de cana, água de rapadura

Todos esses alimentos podem ser ingeridos pela nutriz com parcimônia, sem excessos. A alimentação saudável é a base para a produção láctea. Os alimentos possuem vitaminas, minerais, proteínas, lipídeos necessários tanto para a saúde materna quanto para a composição do leite materno.

Alguns alimentos mais calóricos são importantes para a dieta materna, mas com equilíbrio. Por exemplo, os alimentos com milho, arroz, canjica, fubá, fornecem glicose e, consequentemente, energia à lactante mas, se ingeridos em excesso, podem dificultar a perda de peso resultante da gestação e até mesmo favorecer o sobrepeso/obesidade.

 

 

Além do aporte de nutrientes, muitos alimentos são carregados de crenças e, ao ingeri-los, a mulher realmente acredita que haverá efeitos sobre seu leite. Em consequência, há maior liberação de ocitocina com o relaxamento materno e confiança nos alimentos. Dessa forma, o efeito é fisiológico e também psicológico.

 

Desta forma, a mulher pode ingerir alimentos que acredite auxiliarem na produção láctea de acordo com sua cultura, desde que isso ocorra de maneira equilibrada e não seja prejudicial à mãe ou ao bebê, pois ainda que os efeitos não sejam diretamente relacionados ao aumento da produção (a maioria não tem ação na prolactina e ocitocina, por exemplo), a nutrição adequada é essencial na produção e os aspectos emocionais podem favorecer no aumento da confiança e relaxamento materno, auxiliando na descida do leite.

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