Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Existe diferença entre amamentar e alimentar com mamadeira? Parte 5

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A quinta diferença entre a amamentação e a alimentação por mamadeira se refere à satisfação da pulsão oral e ao ódio e agressividade do bebê. Primeiramente, veremos o que significa satisfação da pulsão oral no bebê.

 

Por pulsão compreendemos o forte impulso interno que direciona o indivíduo a um comportamento. A pulsão oral, portanto, é o impulso que o bebê apresenta, desde antes do nascimento até aproximadamente o segundo ano de vida, para sugar. O bebê está na fase oral e necessita sugar e explorar os objetos com a boca para ter prazer e se desenvolver.

 

Quando o bebê é amamentado, ele terá as bases para as relações futuras e para o desenvolvimento intelectual, pois supriu as necessidades de sucção. O bebê alimentado por mamadeira também terá essa possibilidade, porém desenvolve o que chamamos de nostalgia do seio.

 

A nostalgia do seio é uma memória dessa pulsão oral, da necessidade de sugar um seio que, inconscientemente, ele sabe que existe, mas não pôde desfrutar. Todos nós temos uma certa nostalgia do seio, mas o bebê alimentado por mamadeira terá uma nostalgia maior, já que recebeu um substituto para o prazer oral.

 

Essa é mais uma das vantagens da amamentação: promover o desenvolvimento da criança. Claro que a criança alimentada por mamadeira se desenvolverá, mas existe uma vantagem para a amamentada.

 

No que se refere ao ódio e à agressividade, é comum que o bebê revele raiva e tenha agressividade no processo de desmame. Muitas mães relatam mordidas e muito choro quando a mãe decide iniciar o processo de desmame, quando o seio é negado ou demora a aparecer. Isso acontece porque o bebê não quer abrir mão de seu prazer, ainda que já esteja preparado para isso.

 

A força de destrutividade é tão importante quanto a vital; enquanto a força de vida se esforça para reunir elementos e transformá-los em uma unidade, a força destrutiva faz o contrário, promovendo separação e o ódio/agressividade fazem parte dessa pulsão de destrutividade. É essa força que tenta impedir que o bebê cresça e se separe da mãe, se desenvolva, pois ela quer apenas prazer total e completo. Ao se separar realmente, a agressividade é direcionada para o desejo de saber, realizar e cohecer. É o que nos impulsiona para a vida.

 

Para crescer e se desenvolver a criança precisa ter contato com a realidade, com as impossibilidades, com as frustrações de forma paulatina, de acordo com sua maturidade e possibilidades, mas essa recusa é importante para seu psiquismo, para se ver como um sujeito e para conviver em sociedade.

 

Da mesma forma como o seio é o primeiro objeto de amor por parte do bebê, também é o primeiro objeto de ódio. Tudo que acontece na vida do bebê é atribuído ao seio e a força destrutiva pode produzir choro, mordidas, arranhões, sufocação ou até mesmo cólicas.

 

A criança alimentada por mamadeira é diferente porque, ao morder a mamadeira, não há reação do outro lado; por outro lado, quando a criança morde o seio, a mãe reage, o que permite a introdução do bebê à relação com o outro. Ele morde, depois se arrepende e agrada a mãe. Há um equilíbrio entre a força vital e de destruição.

 

É a partir daí que o bebê se perceberá com o uma pessoa e o pai entra na relação, o que é tão importante na vida da criança: a partir daí ela conhecerá a lei.

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