Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Existe diferença entre amamentar e alimentar com mamadeira?

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Hoje falaremos um pouco das diferenças ente amamentação e alimentação com mamadeira no que se refere às diferenças de técnica de sucção. Ainda que a indústria tente convencer os pais, profissionais de saúde e sociedade de que os bicos artificiais são semelhantes ao seio materno, muitas vezes denominando-os de ortodônticos ou fisiológicos, na prática as posturas orais adotadas pelo bebê, as diferenças de pressão e a musculatura ativada são completamente diferentes. Acompanhe:

 

– na amamentação a boca do bebê precisa abrir (como se fosse bocejar) para pegar boa parte da aréola e na alimentação por mamadeira a boca precisa se fechar para pegar o bico;

 

– na amamentação a língua do bebê está para frente, em cima do lábio inferior, para envolver a aréola e extrair o leite, que será levado, por movimentos peristálticos (ondulatórios) para ser engolido; na alimentação por mamadeira o bico (seja ele qual for), empurra a língua para trás, impedindo a postura correta, além de promover a elevação do dorso da língua para proteger o bebê contra engasgos, já que o fluxo de leite é contínuo;

 

– na amamentação o bebê extrai leite por pressão positiva, denominada ordenha (é a massagem da mandíbula na mama que promover a retirada do leite, pois é o hormônio ocitocina que favorece sua liberação) e na alimentação por mamadeira, a pressão é negativa, ou seja, é realmente o que chamamos de sucção, com força para retirar o leite do bico;

– na amamentação o bebê realiza quatro movimentos mandibulares (abre, vai para frente, fecha e vai para trás) e isso favorece o crescimento harmônico da face; na alimentação por mamadeira o bebê só realiza dois movimentos (abre e fecha) o que pode prejudicar o crescimento facial horizontal;

 

– na amamentação o bebê utiliza músculos que posteriormente serão importantes para a mastigação (por isso a amamentação é considerada a preparação para mastigar) e na alimentação por mamadeira, além desses músculos não terem atividade correta, ainda os músculos das bochechas agem de forma inadequada, o que pode levar a problemas dentários, ósseos e deixar o palato (céu da boca) fundo e estreito.

 

Com todas essas mudanças, pode acontecer de o bebê não conseguir mamar o seio, ter dificuldades de extrair o leite e até mesmo gerar dor e fissuras na mãe. Em geral, o bebê pode ficar um tempo com os dois tipos de alimentação, mas fatalmente a dificuldade será em mamar o peito, o que leva ao desmame.

 

Do ponto de vista emocional, o bebê precisa e deseja reencontrar sempre a última percepção que teve, ou seja, se ele é amamentado, precisa reencontar o seio. Ele se prende à identidade de percepção e reencontrá-la é fonte de prazer. Se, ao buscar o seio, o bebê recebe um bico, pode ficar frustrado, angustiado, ter dificuldades. Mais do que isso, é importante sabermos se a mãe tem o desejo de amamentar, pois é o desejo a mola propulsora da amamentação e do vínculo.

 

No entanto, algumas questões devem ser levadas em consideração: tanto a troca frequente de percepção pode ser danosa, quanto o uso da amamentação como solução para tudo. Se o bebê não tem demanda alimentar, oferecer o seio a qualquer sinal de angústia pode dificultar que o bebê se faça objeto de desejo do outro, que denominamos de terceiro tempo da pulsão. Como resultado, pode haver perturbação da linguagem, dificuldades alimentares, dificuldades em aceitar outras pessoas e objetos, o que também tornará o desmame difícil e poderá levar a criança, quando adulta, a se consolar das frustrações com alguma forma de satisfação oral (comida, bebida, por exemplo).

 

O equilíbrio é muito importante; da mesma forma que a técnica é diferente para se alimentar no seio e na mamadeira, também há diferença em alimentar e acalmar a angústia do bebê com o seio materno. Amamentar é nutrir e satisfazer a necessidade de sucção, que gera prazer, mas associar tudo à amamentação pode trazer problemas.

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