Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Existe diferença entre amamentação e alimentação por mamadeira? Parte 2

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Hoje abordaremos a segunda diferença entre amamentação e alimentação por mamadeira, que se refere às diferenças de ritmo.

 

Na amamentação é recomendada a livre demanda, ou seja, a regulação dos horários, duração e intervalos pelo próprio bebê, no seu próprio ritmo. Esses ritmos são importantes para o sentimento de existir do bebê, bem como para estabelecer o ritmo do próprio organismo, de sua função biológica. O ritmo é considerado uma das qualidades mais arcaicas da vida humana.

 

O feto já percebe os ritmos de movimentos corporais e repouso, o ritmo da fala da mãe e de suas canções e só pode se tornar sujeito após passar pelas variações rítmicas de excitação e descarga (necessidade e satisfação da necessidade).

 

A amamentação permite que o bebê manifeste, além de sua fome, seu desejo de contato e comunicação com a mãe, no seu ritmo particular! Esse ritmo permitirá, no futuro, que a criança compreenda antes/depois, sucessão e simultaneidade. Os ritmos de mamada são diferentes em cada bebê e é importante respeitá-los inicialmente. Com o amadurecimento, a mãe poderá aumentar paulatinamente o tempo de espera até o desmame, momento em que o seio desaparecerá completamente.

 

Após a mamada, é importante que a mãe continue presente, que o bebê possa se satisfazer na necessidade oral, por meio da sucção não nutritiva, que a mãe lhe fale, olhe e toque e isso é imprescindível para a aquisição da imagem de seu corpo e para que tenha prazer na comunicação. Além disso, esse ritmo permite o desenvolvimento da linguagem e a percepção da estrutura rítmica das palavras e de suas repetições (é aí que o bebê começará a falar utilizando-se de sílabas repetidas: mama, papa, cocô).

 

O ritmo do bebê também estabelece o ritmo de produção e descida do leite materno, sendo que o leite começa a vazar antes da mamada, antecipando-a. Com o tempo, os ritmos da mãe e do bebê passam a não coincidir e aí acontece o desmame.

 

No caso do uso da mamadeira, os ritmos geralmente são estabelecidos pelo adulto e o tempo de espera geralmente é maior do que na amamentação, já que o leite precisa ser preparado. Essa espera também deve ser individualizada. Após a mamada o bebê não tem condições de realizar sucção para se acalmar, para ter prazer e aplacar sua angústia, pois o alimento só tem a função nutritiva.

 

De acordo com a psicanalista Françoise Dolto, quando a mãe permanece em contato após a alimentação e conversa com o bebê há menor necessidade de sucção extra (chupeta ou dedo).

 

Desse modo, é importante que o bebê tenha seus ritmos respeitados, independentemente do tipo de alimentação adotado.  Com isso, haverá favorecimento do desenvolvimento de sua linguagem, fala e pensamento, bem como do ritmo do seu desejo.

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