Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Dicas para manter a amamentação exclusiva até 6 meses

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Ainda que as indicações do Ministério da Saúde sejam claras e amplamente divulgadas, para que a mãe amamente seu bebê exclusivamente até 6 meses e com a introdução de alimentos, mantenha a amamentação até 2 anos ou mais, existem muitas informações e recomendações contrárias, que interferem na prática da amamentação.

 

Para a mãe é importante conhecer alguns obstáculos e como superá-los, para que não desista e se entregue ao uso de leites e/ou bicos artificiais:

 

1.Informações equivocadas: com a internet, o conhecimento está disponível como nunca esteve em toda a história, no entanto, existem informações de todo o tipo, embasadas cientificamente e baseadas em achismos ou experiências, além de informações com conflitos de interesses (basicamente produzidas ou encomendadas por indústrias de leites/bicos artificiais). A informação, tanto no pré-natal quanto no período de lactação, é de extrema importância para a continuidade da amamentação, mas a mãe precisa saber onde procurar a informação com segurança. Sites do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, Banco de Leite Humano, alguns grupos de apoio à amamentação e blogs ou sites de consultores em amamentação são formas seguras de obter conhecimento. Evite sites comerciais, blogs de pessoas que contém propagandas ou estudos que foram patrocinados pela indústria.

Ainda a informação, por si só, não tenha a capacidade de modificar as atitudes, deve ser buscada e praticada. É importante a gestante e mãe terem consciência das vantagens do aleitamento materno, como contornar algumas dificuldades, conhecer os mitos mais divulgados e compreender o que realmente pode acontecer, bem como ter uma rede de apoio de mães e profissionais para buscar atendimento em caso de necessidade.

 

2. Orientações e práticas inadequadas de profissionais de saúde: infelizmente são muito comuns, mesmo com todos os estudos e evidências científicas. A mãe deve procurar um profissional atualizado, que a apoie no desejo de amamentar e demonstre, na prática, que compreende a importância da amamentação. Sabe-se que as informações inconsistentes e contrárias confundem a mãe, por isso é importante ter contato com um consultor em amamentação, Banco de Leite, médicos amigos da amamentação e até hospitais amigos da criança.

 

3. Questões culturais e crenças: podem interferir negativamente na amamentação, pois não explicam cientificamente ocorrências durante o processo da lactação e podem atrapalhar ou inviabilizar a prática. Cuidado com indicações de amigas, comadres, avós sobre oferecimento de água e chás, mamadeiras e chupetas, leites artificiais, início precoce da alimentação complementar, uso de produtos nas mamas. Algumas dicas podem reduzir as mamadas e, consequentemente, a produção de leite, gerar confusão de bicos, trazer doenças e até levar ao desmame precoce.

 

4. Falta de confiança materna: talvez a questão mais importante, já que a autoconfiança no próprio leite e na capacidade de alimentar o filho são decisivas para o sucesso na amamentação. A mulher precisa também se informar para saber como ocorre o processo de lactação e se blindar de acusações ou palavras que a façam desconfiar que seu leite possa ser fraco, insuficiente, que o bebê esteja magro e passando fome, que o leite artificial seja melhor, que a chupeta acalma, que ele chora por cólica, etc. A mulher que tem confiança em seu corpo não dá ouvidos a palavras de desânimo e sabe que não há melhor leite para o seu filho. Procurar ajuda emocional e de profissional especialista em amamentação também ajudam na compreensão e na autoconfiança materna.

 

5. Falta de apoio familiar: a família tem papel decisivo no sucesso da amamentação. Ainda que a mulher tenha apoio social (grupos de apoio, outras mães), ela precisa, especialmente, do apoio do companheiro (que não deve colocar em dúvida a capacidade da mãe em alimentar seu filho e pode ajudá-a de inúmeras formas) e dos avós, especialmente sua mãe. A mãe é um espelho, a pessoa em quem a mulher mais confia e respeita, por isso, as palavras de apoio, incentivo, empoderamento e toda ajuda prática são importantíssimas, especialmente no início do processo de amamentação.

 

6. O trabalho materno: é um dos grandes vilões da amamentação, especialmente porque a prática de 4 meses de licença maternidade é insuficiente para a necessidade de 6 meses de amamentação exclusiva. As empresas cadastradas na iniciativa Empresa Cidadã já estão cumprindo 6 meses, bem como o serviço público, mas a parcela de mulheres que precisam retornar ao trabalho aos 4 meses ainda é maior. A empresa pode, para auxiliar, montar uma Sala de Apoio à Amamentação e ter uma creche no local de trabalho, além de cumprir a lei de 30 minutos de pausa a cada período para a mãe amamentar ou extrair seu leite. O apoio da empresa é imprescindível e já existem estudos comprovando que os custos são mínimos em comparação com as vantagens (menos faltas, maior produtividade).

 

7. As indústrias de leites/bicos e seu marketing: ainda que a NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para lactentes e crianças de primeira infância, bicos, chupetas e mamadeiras) seja uma realidade nacional e o marketing seja controlado o tempo todo, as indústrias tem suas estratégias para incentivar o uso de seus produtos, tentando de alguma forma mostrar que são superiores ao leite materno ou à mama. Infelizmente muitos profissionais de saúde, blogueiras, revistas tem sido influenciados por esse marketing e acabam por influenciar a mãe, pai e toda a família. A mulher deve estar atenta a essa sedução e jamais aceitar uma indicação sem questionar. Ainda que em algumas situações seja necessário, na grande maioria das vezes a sede de lucro é que rege as indicações.

 

 

Com essas dicas, a mulher pode se preparar para amamentar por meio do empoderamento, com informações de qualidade e conhecimento de seus direitos, com profissionais capacitados para auxiliá-la e  conhecimento das crenças e formas de abordagem do marketing industrial.

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