Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Devo amamentar o bebê de outra mulher?

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De tempos em tempos a mídia destaca celebridades que amamentam o bebê de outas mulheres. Esse ato é chamado de amamentação cruzada, e apesar de dar a impressão de uma atitude altruísta e desapegada, é arriscada e totalmente contraindicada em nosso país, pelos riscos à saúde da mulher e da criança.

 

A amamentação cruzada é um hábito antigo, da época das amas de leite. As mães deixavam seus filhos totalmente aos cuidados da ama, não só para amamentá-los, mas para criá-los até 10-12 anos de idade, quando sobreviviam. Claro que a grande maioria morria em decorrência de doenças, desnutrição e abandono.

 

Essa prática ocorria devido a questões culturais da época: uma mãe rica não deveria amamentar nem cuidar dos filhos. Não havia estudos sobre o leite humano, transmissão de doenças, a importância do vínculo ou do desenvolvimento emocional infantil. Muitos bebês morriam por não serem amamentados com frequência, por doenças que eram transmitidas pelas amas de leite ou por diarreia.

 

Hoje, com o desenvolvimento científico sabe-se que essa prática não é adequada. Há indicações para que, na necessidade de complementação da alimentação do lactente, o uso do leite humano seja priorizado, no entanto, este leite é examinado, pasteurizado e fornecido após rígido controle de qualidade, para que o lactente receba um leite adequado.

 

No caso da amamentação cruzada, não há nenhum cuidado ou garantia de que o leite está livre de contaminações. Por mais que se conheça a mãe, jamais se pode ter certeza de sua condição de saúde. Mesmo que ela tenha exames de sangue realizados, existe um período em que a pessoa pode estar infectada e isso não aparecer nos exames, além do risco de contrair doenças após a realização dos mesmos.

 

Além disso, o vínculo deve ser estabelecido e mantido com a mãe, com vistas ao desenvolvimento emocional saudável. O bebê reconhece o cheio, o som da voz, o ruído do coração, encontra a mama da mãe que tem uma textura e um tamanho conhecido.

 

É um equívoco acreditar que uma mulher possa amamentar o bebê de outra: além da especificidade do leite humano para o seu bebê, existem riscos de transmissão de doenças que não podem ser ignorados. Não é a toa que, no Brasil, a amamentação cruzada é desaconselhada e o leite humano doado ao Banco de Leite passa por testes rigorosos. Além dos riscos para o bebê, o risco também vale para a transmissão do bebê para a mulher que o amamenta.

 

De acordo com o Manual  Banco de Leite Humano: Funcionamento, Prevenção e Controle de Riscos (BRASIL, 2006), é permitida a administração do leite humano ordenhado cru (sem pasteurização) exclusivamente da mãe para o próprio filho, quando: a) coletado em ambiente próprio para este fim; b) com ordenha conduzida sob supervisão; c) para consumo em no máximo 12 horas, desde que mantida a temperatura máxima de 5 graus Celsius.

 

O leite humano transmite substâncias essenciais, anticorpos, proteínas adequadas, gorduras na quantidade e qualidade ideais, mas também pode transmitir o HIV, por exemplo. Por isso, a amamentação cruzada, prática muito comum que ainda hoje persiste, deve ser desencorajada.

 

Então a mulher pode doar seu leite ao Banco de Leite Humano? Qual a diferença desse leite para o ato de amamentar outro bebê?

 

A mulher que doa leite materno, além de praticar um ato de desapego, caridade e amor, também faz a doação da forma mais segura possível. Une a doação ao cuidado com o leite, a segurança para si e para o outro. Esse ato, sim, é um ato sublime!

 

O leite doado passa por vários exames e cuidados tanto na retirada, armazenamento, pasteurização e controle de qualidade do leite humano e o resultado é um leite seguro e de qualidade garantida ao receptor, no caso bebês prematuros e de risco. Se o bebê está bem, deve ser amamentado por sua própria mãe; se ele está doente ou sua mãe apresenta dificuldades, o lactente deve receber leite pasteurizado do banco e a mãe precisa ser encaminhada para acompanhamento e resolução de problemas. O apoio de um consultor em amamentação aumenta as chances da mulher amamentar.

 

Por isso, se conhecer alguma mulher com dificuldades, ao invés de oferecer sua mama, ofereça apoio! Oriente a visita a um Banco de Leite ou Consultora em Amamentação. Encoraje, empodere, tenha empatia! Mãe e bebê agradecem…

Acreditamos no apoio efetivo à mãe. O APOIO é a maior prova de solidariedade com uma mãe e seu bebê! 

 

* partes do texto elaborado para o site “Se as mães soubessem”- http://seasmaessoubessem.com.br/2016/01/29/cuidados-no-armazenamento-de-leite-materno/

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