Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Cuide do seu emocional antes de ser mãe!

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Se conselho fosse bom seria vendido, não dado, não é isso que ouvimos no senso comum? Mas hoje eu gostaria de dar um conselho: antes de engravidar, procure atendimento na área emocional, resolva seus conflitos e traumas, lembrando que todos nós os temos!

Atendo muitas mães cujas dificuldades de amamentação fogem da técnica de pega, posição, e percebendo isso fui buscar respostas na Psicanálise. Meu TCC de especialização em Teoria Psicanalítica foi sobre esse tema: as dificuldades de amamentação sob o olhar físico e psíquico.

Muitas mulheres com redução de produção de leite, mastites recorrentes, fissuras que nunca cicatrizam, candidíases permanentes, ou bebês muito irritados, com muitas cólicas, que não dormem… Questões que poderiam ser meramente físicas, que poderiam ser resolvidas com técnicas ou medicação, mas que se mantém, muitas vezes por questões inconscientes.

Em uma ocasião, atendi uma mulher com mastites recorrentes e, ao trabalhar seu emocional, as mastites simplesmente cessaram! Em outra ocasião, após atendimento à mãe, o bebê passou a dormir. 

São apenas alguns exemplos de atendimentos, em que foram aplicadas todas as técnicas e tratamentos médicos disponíveis, sem resultados. Ao abordar as emoções, os sintomas cessaram. Por isso a importância de aliar técnica de aleitamento à escuta analítica.

Infelizmente, no puerpério podem surgir dificuldades que poderiam ser solucionadas, sim, porém demandariam tempo, e a urgência é grande nesse período. Vi muitas mulheres desistirem da amamentação com frustração e culpa, por estarem com foco na resolução imediata do problema, sem poder olhar para as causas de suas dificuldades. 

Percebendo isso, iniciei um trabalho de auxílio a mulheres, mesmo antes da gravidez, pois compreendi que problemas menstruais, de fertilidade, no parto, amamentação e até na relação mãe e bebê podem sofrer interferências emocionais. A análise precoce pode ser de grande auxílio, compreensão e ressignificação da própria história e, de bem consigo mesma, a maternidade se torna mais leve.

Como diz Laura Gutman, a mulher entra em contato com sua sombra ao se tornar mãe (leia o livro A maternidade e o encontro com a própria sombra), que nada mais é que suas questões inconscientes não resolvidas.

Esse conselho vale para futuras mães e futuros pais! Olhem para si mesmos antes de pensar em lidar com outra vida!

Lembrando que sempre devem ser aplicadas técnicas adequadas, tratamentos, encaminhamentos e medicações para essas questões, que são físicas, sim, porém com possíveis causas emocionais. É assim que a psicossomática se apresenta!

Fica a dica! 

Dra Cristiane Gomes, Consultora Internacional em Aleitamento Materno e Psicanalista