Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Conheça alguns desafios do pós-parto.

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Todos dizem que o pós-parto é um momento difícil, de adaptação da mãe, do bebê, do pai e da família. Além das alterações hormonais femininas, o tão temido “baby blues” e todas as mudanças de posição familiar e papel, a mulher passa por várias outras mudanças físicas e psíquicas.

 

A primeira dificuldade é com seu próprio corpo, que até então abrigada o filho e querido/esperado ou não, mas que mudou com uma finalidade. Após o parto, o bebê está fora de seu corpo, mas ele não muda tanto ou de forma tão rápida. A mulher não se reconhece e tem necessidade de se reencontrar e viver o luto, ao renunciar ao seu corpo de filha para admitir o corpo de mãe.

 

O segundo desafio é o cuidado consigo mesma. Até mesmo durante a gestação, a mulher cuida de seu corpo, de sua alimentação, faz exercícios, pode adquirir/utilizar roupas adaptadas à sua gravidez. Dizem que é a fase em que a mulher está mais bonita. No entanto, após o parto, com um recém-nascido completamente dependente e que demanda atenção contínua, a mulher acaba deixando de lado seu autocuidado. Ouço muito que elas não se reconhecem, que não conseguem tirar o pijama, nem lavar os cabelos ou fazer as unhas. Sentem que isso não vai acabar nunca, que nunca mais serão como antes, o que gera angústia. 

 

É importante saber que as primeiras semanas são intensas, de aprendizado e que há uma fusão entre mãe e bebê. A mulher desenvolve o que Winnicott denomina Preocupação Materna Primária, que é caracterizada pela focalização de todas as atenções para o bebê, com  negligência de seu próprio corpo. Essa fase é passageira mas necessária, pois é uma forma de promover a sobrevivência do filho e, ao regredir, se identificar com ele.

 

Com relação à amamentação, a grande maioria das mães tem desejo de nutrir seu filho, porém existem pressões que podem prejudicar ou até mesmo inviabilizar esse momento tão esperado. Tal pressão pode ser interna, por conteúdos próprios de sua história (como a pressão por amamentar porque sua mãe não a amamentou) ou externa (profissionais de saúde que colocam a amamentação relacionada com amor, com a boa mãe, com algo que é obrigatório e, por isso, culpabilizante quando a mulher passa por problemas).

 

A amamentação é um direito da mãe e do bebê, não um dever. É uma prática importante, mas em certos casos, o processo de amamentação pode ser tão desgastante e estressante que se torna uma experiência negativa, tanto para a mãe quanto para o bebê. Além disso, quando a mulher não consegue amamentar, por uma infinidade de motivos que não compete discutir aqui, a culpa toma conta e pode interferir na relação mãe/bebê, por isso o desejo da mulher em amamentar deve ser conhecido e respeitado, já que vários conflitos maternos (de sua amamentação e desmame) podem levá-la a desistir, a não produzir leite suficiente, à recusa do bebê em mamar ou ao desenvolvimento de fissuras mamilares.

Portanto, o pós-parto é um período delicado, no qual a mulher necessita de apoio familiar e profissional, além de conhecimento dos aspectos que o compõe, para que vivencie da forma mais tranquila possível a sua maternidade.

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