Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Como o leite é produzido e liberado na mama.

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A amamentação é um ato psicossomático complexo.  É importante gestantes, mães, familiares e profissionais de saúde conhecerem o processo de produção/liberação do leite materno para incentivar, promover e apoiar o aleitamento materno de maneira adequada.

A prolactina é um hormônio de natureza glicoprotéica, se apresenta muito semelhante ao hormônio do crescimento e é importante na gravidez e lactação. Devido à associação original com a lactação, o termo descreve a sua ação, ou seja, o apoio ou estímulo da lactação. No entanto, a prolactina possui também a função de controlar a não lactação, além de participar de mais de 80 diferentes processos fisiológicos.

Na gravidez, os níveis de prolactina começam apresentar elevação no primeiro trimestre e continuam durante toda a gestação. Em mães que não amamentam, os níveis de prolactina caem e retornam aos níveis basais em duas semanas, independente da terapia para suprimir a lactação.

No parto, após a expulsão da placenta, os níveis de lactogênio, estrogênios e progesterona apresentam um declínio abrupto, sendo que o lactogênio placentário desaparece em poucas horas.

Os níveis de progesterona são reduzidos ao longo dos dias e os níveis de estrogênio retornam a níveis basais em cinco ou seis dias. A progesterona é considerada a chave da inibição hormonal e seu declínio em níveis plasmáticos é considerado como um gatilho lactogênico para a fase II da lactogênese. Já os estrogênios reforçam o efeito inibidor da prolactina e da secreção láctea.

Após o parto, há baixos níveis de estrogênio e altos de prolactina e a sucção do lactente fornece um estímulo para a manutenção da liberação da prolactina. Se a prolactina, essencial para a lactação, é reduzida por alterações hipofisárias ou medicações, a lactação cessa e chega a níveis basais após um mês após o parto, ainda que a amamentação seja mantida.

Embora a prolactina seja necessária para a secreção do leite, o volume de leite secretado não está diretamente relacionado com a concentração de prolactina no plasma. Mecanismos locais dentro da glândula mamária que dependem da quantidade de leite removido pela criança são responsáveis pela regulação do volume de leite.

A sucção estimula a adenohipófise e, consequentemente, a liberação de prolactina e ocitocina. Estes hormônios estimulam a síntese e produção de leite ejeção hormônios metabólicos, que também são necessários no processo de síntese do leite. Deste modo, o aleitamento materno e o esvaziamento das mamas são essenciais para o estabelecimento e manutenção da lactação

Estando a nutriz apoiada, confiante, informada, com disponibilidade física e emocional, a continuidade dos estímulos de sucção mamilar chegam também à hipófise posterior que libera ocitocina, hormônio com ação sobre as células mioepiteliais, que promove a descida ou ejeção do leite. Esse reflexo é bloqueado pelo estresse, pela baixa autoestima, pelo medo, pela dor e pela falta de apoio, bloqueio esse mediado pela adrenalina nas células mioepiteliais e pela noradrenalina no eixo hipotálamo-hipofisário.

A ocitocina é um hormônio de natureza protéica, sintetizada no hipotálamo, armazenada pela hipófise e por ela liberada. A ocitocina é responsável pela contração da musculatura lisa uterina e das células mioepiteliais da glândula mamária, provocando a ejeção do leite contido nesta.

Este hormônio inicia sua ação antes da mamada ou na presença da sucção do lactente. O reflexo de ejeção ocorre de forma condicionada para desencadear sensações de afeto na mãe mesmo antes de ver, tocar e conversar com seu bebê, ou mesmo ouvir seu choro. No entanto, se a mãe estiver doente ou com problemas emocionais (dor, cansaço, stress, depressão), o reflexo da ocitocina pode ser inibido e seu leite pode deixar de fluir adequadamente. Nesses casos, a mãe necessitará de apoio para se sentir bem, confortável e manutenção do aleitamento materno para que o leite volte a fluir novamente.

 

Alguns sinais da ação da ocitocina são: sensação de formigamento na mama antes e durante a amamentação, liberação do leite quando a mãe pensa em seu bebê ou ouve seu choro, liberação do leite quando o bebê realiza pega e ordenha da mama, liberação do leite em jatos quanto a amamentação é interrompida, diminuição da velocidade de sucção e deglutição do lactente (mostra que o leite é liberado na cavidade oral do bebê), dor uterina ou aumento do fluxo sanguíneo no útero ou sede materna durante a amamentação.

A ocitocina também sofre influência de efeitos psicológicos e este tipo de efeito ocorre tanto em mulheres como em animais. Em seres humanos, a ação da ocitocina leva a mãe a um estado de calma, reduz o stress, desenvolve os sentimentos de afeto entre mãe e bebê e promove o vínculo.

 

  • Moore (2001), Chaves Neto (2004), Lawrence e Lawrence (2005), Douglas (2006c, d), Douglas e Bydlowski (2006), Mello Junior e Romualdo (2009) e World Health Organization – WHO (2009).
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