Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Como evitar que a autoconfiança materna seja abalada

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Hoje o nosso tema é autoconfiança (no leite, na maternidade, no cuidado com o bebê, etc). Quem nunca se sentiu insegura, com dúvidas se estava fazendo a coisa certa? Ainda mais com muita gente ao redor para criticar, opinar, contar sua experiência?

 

Pior quando quem critica é um profissional de saúde, que tem status de autoridade para os pais. Muitas vezes ele está desatualizado, segue uma linha que a família não concorda, possui muitos conflitos de interesses (sim, alguns ganham muitos presentes e congressos de indústria de leite e farmacêutica, então é claro que sentirão a obrigação de devolver a gentileza recomendando seus produtos).

 

Fiquei pensando nisso esses dias: como o profissional tem o poder de aumentar a autoconfiança materna ou destruí-la totalmente. Uma mãe estava bem, amamentando e curtindo seu filho, acreditando que seu leite era a melhor coisa do mundo até que foi a uma consulta. O profissional diz, então, que seu leite é fraco, que o bebê não estava ganhando peso adequadamente, que a culpa era dela, que ela não alimentava o filho, etc. Pronto! Acabou a confiança; e pior: vem uma culpa imensa!

 

Por que essa postura? Por que essas orientações? Como já disse, há o conflito de interesses e ele é muito forte, mas também penso que há uma questão emocional envolvida. Não sabemos a história dessa pessoa, suas frustrações e conflitos emocionais. Para algumas pessoas, profissionais da saúde ou não, é agressivo presenciarem uma relação tão forte, íntima e que se basta entre uma mãe e seu bebê: dependendo da experiência que tiveram, isso traz angústia, por isso  podem agir (vale para familiares e amigos também). Isso não é consciente, muitas vezes não fazem por mal, mas há questões não resolvidas na vida da pessoa.

 

Compreender isso pode auxiliar os pais nessa complexa empreitada por busca de apoio. A mulher também tem suas questões e quando elas emergem pela fala do outro (profissional de saúde, familiar, amigo), isso também gera angústia.

 

Como as relações são complexas! Trazer à consciência seus conflitos e lutas interiores, ressignificar acontecimentos da infância, compreender e perdoar o que precisa ser perdoado pode prevenir vários problemas, culpas e sentimentos de incapacidade.

 

Onde o calo aperta? Você sente que precisa ser perfeita, que precisa ser melhor do que alguém, que precisa provar algo aos seus pais? Essas palavras profissionais podem entrar como uma espada no coração e machucar muito. Ao resolver essas questões, isso não mais machucará, como num passe de mágica.

 

Se alguém chegar para mim e dizer que sou burra, vou virar para ela com toda a tranquilidade e dizer que não sou não, que estudei e estudo até hoje; agora, se eu me sinto burra, isso vai me machucar, angustiar e pode ter um efeito prolongado e deletério: me fazer desistir do que faço, por acreditar que sou burra.

 

Com a amamentação é a mesma coisa (ou com os cuidados, ou com a maternidade como um todo). Só o que me incomodou anteriormente irá me incomodar novamente a cada situação que desencadeie o mesmo sentimento. Para pensar!

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