Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Como alimentar o bebê na ausência materna?

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É de conhecimento da população em geral que o aleitamento materno é indicado de forma exclusiva até o sexto mês de vida e deve ser continuado juntamente com a alimentação complementar até dois anos ou mais. Apesar da informação, muitas mães precisam retornar ao trabalho após 4 meses de licença maternidade ou mesmo se ausentar por algumas horas de casa, muitas vezes deixando seu bebê aos cuidados de outra pessoa.

 
Seja no retorno ao trabalho ou na ausência temporária, muitas mães acabam por lançar mão da mamadeira e leites artificiais para alimentar seu bebê, especialmente antes do sexto mês. Apesar de ser tão frequente, sabe-se, pelos estudos científicos, que o uso de bico artificial (seja chupeta ou mamadeira) modifica a sucção do bebê e reduz o tempo de aleitamento materno, além de poder provocar a confusão de bicos, que é caracterizada pela mudança das posturas orais e da forma de sucção que leva o bebê a rejeitar a mama. Essas mudanças são caracterizadas da seguinte forma:

 
1. No aleitamento, o bebê precisa abrir a boca de forma que abocanhe boa parte da aréola e os lábios ficam evertidos (para fora). Na mamadeira (independentemente do tipo de bico utilizado), o bebê adquire postura mais fechada, para pegar o bico. Se ele pegar a mama dessa forma, abocanhará apenas o mamilo, o que trará dores e fissuras;
2. No aleitamento, o bebê retira o leite por pressão positiva, ou seja, pela massagem da mama que realiza a partir dos movimentos da mandíbula (abertura, protrusão, elevação e retrusão). Na mamadeira, ocorre a pressão negativa, ou seja, sucção por força e não por massagem, fato que, juntamente com a boca com reduzida abertura, favorece a ocorrência de dor e fissuras mamilares;
3. No aleitamento, os músculos que atuam são os que, futuramente, serão utilizados para mastigar: masseter, temporal, pterigoideos mediais. Na mamadeira, esses músculos pouco trabalham e os bucinadores (músculos da bochecha) tem maior atividade. O resultado dessa contração desnecessária é alteração no crescimento facial e pressionamento das arcadas dentárias e palato duro (céu da boca). Essa mudança de contração muscular pode levar a alterações ortodônticas (no alinhamento dos dentes);
4. No aleitamento a língua deve estar anteriorizada e pode ser observada durante a amamentação, pois fica posicionada sobre o lábio inferior. Na mamadeira, a língua fica retraída pela pressão do bico sobre ela. Dessa forma, além de não se trabalhar a ponta adequadamente, o dorso adquire postura elevada, especialmente para controlar o fluxo de leite. Dessa forma, esperado mais uma vez se inverte: de uma língua com ponta elevada e dorso baixo, observa-se ponta baixa e dorso elevado, com a língua para trás;

 

Com o conhecimento de que a sucção modifica totalmente, é oposta e tem implicações sobre o crescimento facial, tônus muscular, posturas orais e alinhamento dos dentes, a indicação para os momentos de necessidade, é que a mãe retire seu próprio leite, armazene-o adequadamente e a pessoa responsável pelo bebê ofereça sua alimentação por copo ou colher.

 
Ao contrário da mamadeira, no copo o bebê apresenta abertura de boca, língua anteriorizada para lamber o leite do copo, realiza os movimentos semelhantes aos do aleitamento e também contrai os mesmos músculos. Dessa forma, e com a realização da técnica correta para oferecimento, o bebê não confundirá a sucção e poderá voltar a ser amamentada assim que a mãe estiver presente.

 
Claro que o bebê precisa sugar, por isso o método do copo é uma forma de alimentação temporária e melhor substituta para o uso da mamadeira, não da mama materna. Sempre que a mãe estiver presente a indicação é que amamente. Se precisar complementar por algum motivo, pode fazê-lo ordenhando seu próprio leite e oferecendo pelo método da translactação, que permite que o bebê sugue a mama e, ao mesmo tempo, estimule a produção láctea.

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