Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Bebê com dificuldades para mamar? Consultoria em amamentação para solucionar!

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A amamentação pode ser um desafio diário tanto para a mãe quanto para o bebê. Algumas mulheres apresentam problemas físicos e emocionais que dificultam ou até a impedem de amamentar. Em geral, esses problemas estão relacionados à produção e liberação de leite, dores e fissuras mamilares, alterações mamárias ou conflitos emocionais que podem se apresentar como obstáculos para o estabelecimento ou manutenção do aleitamento materno.

Por outro lado, há dificuldades que não estão relacionadas à mãe. Ainda que haja todo empenho para aprimorar a posição e pega da mama e todo o tempo disponível para cuidar e alimentar o recém-nascido, em algumas situações as dificuldades estão relacionadas ao bebê. Ele não consegue pegar a mama corretamente, não se mantém fixado, chora, machuca a mãe, não consegue extrair a quantidade de leite necessária, perde peso, se irrita, vomita, não dorme. O que fazer nessas situações?

Inicialmente é importante destacar que muitas dessas dificuldades estão relacionadas ao que chamamos disfunções orais. As disfunções orais são alterações nas funções que o bebê deve desempenhar na amamentação, como na posição da língua, lábios, na pressão intraoral, na abertura de cavidade oral, no ritmo e força de sucção, bem como algumas alterações musculares e também anatômicas (por exemplo a presença de um frênulo curto de língua que impeça o posicionamento correto da língua, seu movimento e sua função).

Em algumas situações é possível identificar a causa da disfunção oral: bebês que utilizam sonda gástrica para alimentação, que permanecem em UTI neonatal com uso de respirador, que usam chupeta, mamadeira ou mamam com intermediário de silicone, que possuem imaturidade ou alteração neurológica, que apresentam dificuldades de deglutição (disfagia), prematuridade ou baixo peso ao nascer. Em outras situações não há como determinar uma causa; alguns bebês já nascem com disfunção oral; isso pode dificultar a prática do aleitamento materno e levar ao desmame, ou seja, ao abandono da amamentação e inserção de bicos e leites artificiais.

Infelizmente há poucas formas de se evitar a disfunção oral. Uma delas é não utilizar bicos artificiais. Ainda que o uso da chupeta e da mamadeira esteja disseminado em nossa cultura, ele pode trazer problemas, já que a musculatura, a postura oral e os movimentos das estruturas são completamente diferentes se compararmos com o aleitamento materno. Com formas de sugar tão diferentes, a tendência é que o bebê tenha preferência pelo que lhe é mais fácil e, assim, abandone a amamentação.

Nas demais situações, além de não haver prevenção, nem todos os profissionais estão aptos para avaliar, identificar e intervir nas disfunções orais e isso dificulta a resolução dos problemas de amamentação. As mães tentam, buscam apoio e praticam as informações sobre pega e posição corretas, mas os problemas continuam. Como proceder, então?

O profissional capacitado para atuar nas disfunções orais que dificultam a prática do aleitamento materno é o fonoaudiólogo consultor em amamentação. Esse profissional, além de avaliar e tratar as alterações musculares, posturais e de reflexos orais, ainda tem condições de orientar a mulher quanto ao manejo clínico da lactação, isto é, quanto às estratégias para que o bebê apresente boa pega, esteja com a posição adequada, tenha condições de extrair o volume de leite que necessita e consequentemente ganhe peso. Além disso, utiliza-se de várias estratégias, manobras, massagens e técnicas auxiliares para que o bebê tenha condições de ser amamentado com sucesso.

 

Artigo publicado na Revista Saúde de junho/2017

 

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