Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Aspectos emocionais e sua interferência na amamentação

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Durante a gestação a mulher já cria uma ligação com seu bebê, por isso muitas vezes acontece uma regressão. Isso mesmo, a gestante regride um pouco para se comunicar com seu bebê ainda, no útero. Isso também é importante para que a conexão ocorra.

Logo após o nascimento acontece uma fase chamada por Winnicott (pediatra e psicanalista inglês) de “preocupação materna primária”. Isso significa que a mãe estará, pelos próximos meses, completamente voltada ao bebê e às suas necessidades. Isso é esperado e completamente normal. Muitas vezes até se esquece de comer, escovar o cabelo, muitas vezes o desejo sexual permanece em baixa por algum tempo. Depois tudo vai retornando à normalidade, mas essa fase é importante porque o bebê é totalmente dependente de sua mãe e precisa intensamente de seus cuidados.
Não é fácil, pois há privação de sono, muitas vezes a mãe não consegue ir ao banheiro ou tomar um banho mais demorado. Essa fase vai passar. Aos poucos, com o crescimento do bebê e ao adquirir autonomia em algumas questões, a mulher volta a se arrumar, a ter algum tempo para ela, a sair com o companheiro e até voltar às relações sexuais.
Essa preocupação materna primária é importante para o bebê, pois nessa fase ele precisa ser segurado de forma correta, cuidado com afeto e apresentado, pouco a pouco, aos objetos, para que adquira linguagem, um ego sadio do ponto de vista emocional e crescimento/desenvolvimento esperados.
O bebê também precisará de muito contato físico; ele nasce imaturo e geralmente, ao se colocar no berço ele chora desesperadamente. Dizemos que o berço tem espinhos, mas, na verdade, ele não reconhece nada naquele local como reconhece o cheiro, batimentos cardíacos, voz da mãe. Para facilitar, recomendo o uso de sling, para que o bebê fique em contato com a mãe (reduz o choro e até as ditas cólicas) e a mãe possa realizar outras atividades.
A cama compartilhada também é recomendável, sempre tomando os cuidados necessários, como não beber, não fumar, deixar o bebê no meio da cama, sem cobertas ou objetos que possam sufocar. A mãe também pode colocar o berço ao lado de sua cama, se preferir.
Com o tempo, o bebê consegue aceitar certo distanciamento, muitas vezes pode solicitar ir para seu próprio quarto e dormir na sua própria cama. O ideal é que ao menos 6 meses ele esteja no quarto com os pais, mas isso depende da vontade da mãe e do acordo com o companheiro.
A informação sobre essa fase da vida do bebê, suas necessidades e as demandas que são completamente esperadas auxilia no preparo da mãe para adaptar-se, sabendo que vai passar. Essa é uma frase que precisa estar sempre na mente das mães: Vai passar! (passa e muito rápido, por isso aproveite cada minuto com seu bebê. Logo ele ganhará o mundo e você sentira saudades!)

Caso você esteja muito cansada, peça ajuda. A família é uma base importante para a criação dos filhos. Toda ajuda é muito bem-vinda, porém tenha em mente que a grande responsabilidade é sua e do pai da criança.
Não é fácil, mas quem disse que seria? Bebês dão trabalho, mas quando há amor e disposição, tudo se resolve!

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