Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Amamentação prolongada, sim! Observações sobre texto que desencoraja a prática

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Sobre o texto da Ana Escobar, que desencoraja a amamentação prolongada (http://www.draanaescobar.com.br/dicas-da-dra-ana/duvidas/a-amamentacao-prolongada-e-recomendada-ate-que-idade-devo-amamentar-meu-filho/)

Todos sabemos que o leite de peito é o melhor alimento parta os bebês. No entanto, depois de 6 meses já é possível a introdução de alimentação complementar, ou seja, outra fontes de nutrientes.
*Ok

Muitos bebês ainda continuam a mamar no peito depois dos 6 meses, não obstante já estarem consumindo suco e papinhas de frutas e a sopinha na hora do almoço e do jantar.
*Não se deve oferecer sucos até o primeiro ano de vida da criança e as papas não são a única forma possível de alimentar um bebê. É importante saber que há outras formas que favorecem o desenvolvimento da mastigação, motor e experiência sensorial com o alimento.

Entre 6 e 12 meses, a sopinha vai ficando mais engrossada e aos poucos – bem aos poucos- pode ser substituída pela comidinha amassada. E ainda assim, muitos bebês ainda continuam mamando no peito.
*Hoje a recomendação para consistência alimentar mudou. Pode-se oferecer sopas, mas é importante orientar que os alimentos não devem ser batidos ou peneirados. Acabou de sair recomendação de alimentação complementar da SBP

Por isso vem a dúvida: quando parar de amamentar?

Vejam: se vocês, mamães, ainda estão com leite e o seu filho não está fazendo o peito de “chupeta”, o que significa querer mamar toda hora, então tudo bem: podem continuar.
*Isso não existe. Bebê suga para se alimentar e por prazer. Ele está na fase oral. Precisa sugar o seio para seu desenvolvimento emocional. A mulher deve ser incentivada a manter livre demanda até um ano, quando o bebê passa a comer melhor e o leite materno já não é mais o principal alimento. Destaque para alimentação complementar, pois o alimento é complemento do leite materno e não o contrário

O leite deve ser utilizado como um alimento e não como um “relaxante”. Evitem que seus filhos mamem para dormir ou quando estiverem “estressados” e chorando de “birra” por alguma coisa.
*por que? Onde está publicado que isso é desaconselhado ou prejudicial? O bebê se irrita e não pode mamar? Onde está a empatia e o vínculo? Bebês mamam para se alimentar, para aconchegar, para se acalmar, para reduzir a dor, para dormir, para ter contato com a mãe…

O peito, portanto, deve ser entendido como uma fonte de nutrientes e por isso deve ser dado em momentos específicos do dia, como uma refeição normal.
*e a recomendação de livre demanda? Onde está escrito que o bebê deve mamar em horários específicos? O peito é fonte de nutrientes, vínculo, contato, afeição, acolhimento… muito mais que apenas nutrição

As crianças não devem criar uma “dependência” psico emocional do peito. Precisam se sentir “independentes” da mãe, neste sentido.
*Esse mito já deu o que tinha que dar. Leia Carlos González e entenderá que esse discurso é muito mais de controle político do que realmente uma questão de dependência. Deixar o bebê chorando, sem colo e sem aleitamento é que deixam uma criança insegura

Depois de 2 anos, não há mais necessidade do peito como fonte de nutrição.
*após os 2 anos, o leite materno ainda é rico em nutrientes. A recomendação de amamentação é até 2 anos ou mais… Segundo Giugliani (2004), 500 ml de leite materno possui:
1/3 das necessidades de energia e proteína de alto valor biológico
45% das necessidades de vitamina A
95% das necessidades de vitamina C
fatores de proteção contra doenças infecciosas

Lembrem-se que na vida muitas situações prazerosas tem momento para começar e também para terminar. Inclusive o leite de peito.
* frase correta em parte, mas incompleta porque acaba quando mãe e bebê estão prontos, o bebê maduro para o desmame, e não quando profissionais determinam arbitrariamente

7 Comments
  • Michael Daamen março 19, 2018, 3:59 pm

    muito difícil já por 2 anos.
    Se possível, por favor, nos dê alguma sugestão de o que poderíamos fazer.
    Obrigado

    • Drª Cristiane Gomes março 29, 2018, 12:45 am

      Olá, Michael, li todo seu depoimento e, na verdade, não há como falar sobre desvantagens de amamentação prolongada, mas em formas de lidar com a criança. Muitas vezes há uma confusão quando falamos em livre demanda e sobre o sono do bebê, temas abordados no site. Por exemplo, se a cada choro do bebê este for colocado ao seio, e a cada micro despertar noturno também, estamos habituando a criança a sempre que chora, só poder se acalmar e dormir novamente com o peito, com a sucção. Tenho muitas pacientes que me procuram na mesma situação de vocês. Não acredito que a amamentação prolongada seja um problema, mas essa confusão, e uma vez que em todas as situações a solução seja o peito, é claro que um hábito será desenvolvido, sendo um novo processo para modificar-lo. Não sei se me fiz compreender, mas a busca por apoio profissional neste momento é importantíssimo. A cobrança social é terrível e muitas vezes injusta, pois se trata de uma criança pequena, mas que aos poucos deve ser incentivada a ter alguma rotina (claro que de acordo com sua maturidade e possibilidades). Espero que consigam um profissional para auxiliar-los sem ser radical.

  • Michael Daamen março 19, 2018, 3:57 pm

    claras sobre estas “desvantagens” ou cuidados em relação à amamentação. Só há textos mostrando as várias vantagens.
    No meu ver, estes grupos deveriam abordar estas dificuldades da amamentação com mais clareza, pois isso nos pega desprevenidos e não estamos preparados.
    A consequência é que, casos como o nosso, acabam servindo de anti exemplo é somos muito criticados. Além de estarmos passando um

  • Michael Daamen março 19, 2018, 3:53 pm

    ainda acorda inúmeras vezes durante a noite.
    Está em um nível insuportável. Está nos afetando emocionalmente (nós três), no meu trabalho, na relação da mãe com a filha e até nos demais cuidados que deveríamos ter com ela.
    Hoje acreditamos que deveríamos haver tido cuidado com a amamentação noturna.
    Porém, nos grupos que nos apoiamos como referência, incluindo seu site, nunca encontramos informaçõe

  • Michael Daamen março 19, 2018, 3:49 pm

    Cara Dra. Cristiane.
    Admiro muito o seu trabalho e eu e minha esposa pudemos nos apoiar e aprender muito com os seus textos. Hoje nossa filha está com quase 2,5 anos e ainda mama. Gostaríamos de seguir amamentando, mas temos , como já era esperado, muita pressão da sociedade.
    Mas o maior problema que temos não vem desta pressão e sim do fato que, devido à amamentação a livre demanda, nossa filha

  • Elisa setembro 27, 2017, 11:14 pm

    quem é este Carlos Gonsález? o que ele escreveu? fiquei interessada. Obrigada!

    • Drª Cristiane Gomes setembro 28, 2017, 10:14 am

      É um pediatra espanhol muito respeitado. Ano passado ele esteve no Brasil para o lançamento do terceiro livro traduzido em português: Meu filho não come. Ele já tem traduzidos o Manual prático de aleitamento materno e Besame Mucho. Recomendo muito a leitura. A editora Timo é quem publica os livros dele, você pode adquirir no site!