Amamentação: proteção e nutrição física e emocional.

Alergia à proteína do leite de vaca x intolerância à lactose

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A lactose é um tipo de açúcar que só pode ser encontrado por meio da secreção da glândula mamária em mamíferos, é classificado como um dissacarídeo formado pela glicose e galactose. Para ser sintetizado precisa da enzima N-galactosil transferase e da proteína alfa-lactoalbumina.

 

O leite humano possui pequenas concentrações de lactose (cerca de 70g/l) e no colostro sua concentração é ainda menor que no leite maduro. A lactose favorece a proliferação de Lactobacillus bifidus, que inibem o crescimento de microorganismos e previnem infecções intestinais. Além disso, a quantidade de lactose é inversamente proporcional à de proteínas e gorduras.

 

No caso de intolerância à lactose, o problema está na má absorção de carboidratos pelas baixas concentrações de lactase, a enzima responsável pela quebra da lactose em glicose e galactose. Essa enzima é essencial para que ocorra a digestão do leite, portanto o intolerante possui, geralmente, baixa concentração da enzima lactase. Os sintomas, nesse caso, são: do abdominal, diarreia, náusea, flatulência, distensão abdominal após a ingestão de leite ou derivados. A suspensão total ou parcial de leite e derivados é o principal tratamento indicado ao intolerante, seguido da ingestão de lactase.

 

O bebê que apresenta intolerância à lactose nasce com essa predisposição (é uma situação rara), ao contrário do adulto, que adquire a intolerância por problemas intestinais. Importante salientar que bebês prematuros podem demorar mais para produzir lactase em quantidade adequada devido à sua imaturidade.

 

Já a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma reação alérgica à caseína, uma proteína encontrada em todos os tipos de leite, inclusive no materno, porém a diferença se encontra na concentração: no leite humano contém apenas entre 20 e 45% das proteínas do leite, enquanto no leite de vaca possui cerca de 80%.

 

Essa diferença de concentração também é importante e pode gerar uma reação anormal do sistema de defesa do organismo quando o bebê entra em contato com a proteína contida no leite de vaca. Nesse momento o organismo reage como a um inimigo e tem início a produção de anticorpos (também podendo produzir células inflamatórias) que, consequentemente, produzirão as reações alérgicas.

 

Os alimentos que mais causam alergia alimentar são o leite de vaca, a soja, o ovo, o trigo, o peixe, os frutos do mar, o amendoim e as castanhas, por isso todo cuidado é pouco. Quanto mais precocemente uma criança entra em contato com tais alimentos, maior o risco de desenvolver a alergia. Nesse caso os sintomas podem ser precoces, tardios ou mistos.

 

  • Os sintomas precoces, que podem surgir até 2 horas após a ingestão são: coceira com urticária, inchaço de lábios, olhos, vômitos em jato, diarreia, chiados no peito, dificuldades respiratórias, podendo até chegar a um choque anafilático

 

  • Os sintomas tardios podem acontecer até alguns dias após a ingestão: vômitos tardios, diarreia com sangue, sangue nas fezes, cólicas, prisão de ventre, baixo ganho de peso e reduzido crescimento, inflamação intestinal, assaduras

 

  • Os sintomas mistos, por outro lado, podem surgir a qualquer momento após a ingestão do leite de vaca ou derivados: dermatite, asma, refluxo, esofagite, gastrite, diarreia, vômito e dor abdominal, podendo levar também a baixo ganho de peso e dificuldades de crescimento.

 

Em bebês amamentados, geralmente ocorre reação mediante o consumo de leite e derivados por parte da mãe (as substâncias dos alimentos que a mãe consome passam pelo leite materno até o bebê, inclusive a proteína do leite de vaca, que surge de forma hidrolisada – em pequenas partículas – no leite materno) ou pela inclusão de leite de vaca (em pó, saquinho, longa vida ou fórmulas infantis) precocemente em sua dieta.

 

O tratamento, no caso dos bebês amamentados, é restrição alimentar da mãe e nos bebês que recebem leite de vaca, sua suspensão. A amamentação sempre é a melhor saída para bebês alérgicos! O leite materno não é alérgico, exatamente por ser específico para a espécie humana.

 

Para realizar o diagnóstico, tanto da intolerância à lactose quanto da alergia à proteína do leite de vaca, são necessários exames! Vala destacar que os sintomas da intolerância são apenas digestivos. Já nos casos de alergia, todo o sistema respiratório pode estar afetado, bem como a pele e o trato gastrointestinal. Procure um médico para realizar o diagnóstico correto e tratar adequadamente. De qualquer forma, o leite materno é o melhor para bebês intolerantes  ou alérgicos!

 

aplv e intolerancia

4 Comments
  • Vera Bruder setembro 20, 2016, 1:27 pm Responder

    Obrigada Cris!

  • Vera Bruder setembro 15, 2016, 4:03 pm Responder

    Boa tarde Cristiane,
    O leite materno ingerido pela mãe vai para o leite materno? Vc conhece algum estudo? Um amigo pediatra comentou seu post que compartilhei que isto é uma inverdade…

    • Drª Cristiane Gomes setembro 17, 2016, 11:15 am

      Vera, muitos bebês apresentam APLV mesmo sendo amamentadas exclusivamente e um dos tratamentos é dieta de exclusão do leite de vaca e derivados. Talvez a forma como você falou – vai para o leite materno – deve tê-lo feito dizer que é uma inverdade, mas sabemos que tudo que a mãe ingere de nutrientes tem transferência no leite materno, inclusive medicamentos, isso já está comprovado na literatura. Procure textos científicos sobre alergia à proteína do leite de vaca, ok? Abraços

      • Drª Cristiane Gomes setembro 17, 2016, 11:40 am

        Um artigo recente que fala sobre a dieta da exclusão é LIFSCHITZ, C.; SZAJEWSKA, H. Cow’s milk allergy: evidence-based diagnosis and management for the practioner. European Journal os Pediatrics, v. 174, n. 2, p 141-150, 2015

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